projecto21

blogs do projeto21

This page is powered by Blogger. Isn't yours?
quinta-feira, junho 19, 2003
 


[Ramiro]


Olá, hoje o caderno de destaque do Publico é quase intergralmente sobre Islael-Palestina.
Neste momento os Israelitas já estão a pensar construir um muro a dividir Jerusalem, tipo Berlin. Se os bandidos ficarem do outro lado está tudo resolvido.
Por outro lado a UE parece ser a unica instituição a dar um pequeno apoio aos palestinianos, alias vai protestar com Israel e eventualmente pedir uma indeminização pela destruição de obras financiadas pela UE, tipo o aeroporto, esquadras da policia, escolas etc, que os israelitas tem vindo a destruir.
Também continua a ser dificil perceber como é que o Arafat é que está a fomentar o terrorismo na região, quando se encontra preso à meses. É uma ligação estranha esta entre os US e Israel. Mas a grande preocupação é que se eliminarem Arafat (deve ser a vontade deles) perdem o apoio na guerra contra o terrorismo de todos os paises muçulmanos (ou seja perdem o motor da economia!).
Será que interessa a alguem a paz na regiao? Aquela região já é alvo de grandes disputas pelo menos desde o imperador Adriano, por este caminho vai continuar a ser.
É caso para se dizer: "melhores dias virão"

RCM


projecto21 - 29 Jan 2002




 


[João]


Os Doze Ramos da Árvore de Deus
Quinta-feira, 24 de Janeiro de 2002
http://jornal.publico.pt/2002/01/24/Destaque/X01CX01.html



BUDISMO

Religião histórica fundada por Buddha Sakyanumi, de nome original
Siddharta Gautama, que, depois de uma excepcional experiência
espiritual, acedeu à sabedoria perfeita. Um acordar - em
sânscrito "Bodhi" - que lhe atribuiu o nome de Buda. Iniciou as suas
prédicas no vale do Ganges em 525 a. C., época de grande
efervescência intelectual no Norte da Índia, paralelamente ao
desenvolvimento da filosofia na Grécia e ao confucionismo na China.
Só através do Nirvana o homem poderá libertar-se do mal e acabar com
o sofrimento. Actualmente existem comunidades budistas significativas
na Índia, Sri Lanka, China, Sudeste Asiático, Tibete e Japão.


CRISTIANISMO

Único credo fundado na fé e na adesão a uma pessoa histórica, Jesus
Cristo, e não numa entidade transcendente. Considerado pelos seus
seguidores como o Messias que os judeus esperavam e não reconheceram,
morto por crucificação numa conspiração político-religiosa, Jesus
ressuscitaria, tornando-se esse acontecimento o centro do dogma
cristão. O amor como prática de vida é o princípio maior enunciado
por Jesus: "Amai-vos uns aos outros" ou "Amai os vossos inimigos" são
duas das sentenças lapidares sobre o tema, reproduzidas nos
evangelhos.


CONFUCIONISMO

Traduz o sistema de valores predominante na China: a boa índole, o
gosto pela respeitabilidade, o desejo de ser educado segundo as
regras morais dominantes, a elevação moral e social. Esta religião,
cuja doutrina tantas vezes se confunde com a ideologia do Estado,
encontra as suas raízes nos Quatro Livros, de Confúcio, e nos Cinco
Clássicos, de inspiração confuciana. Confúcio não respondeu, porém, à
pergunta essencial a qualquer ética humana: a natureza dos homens é
boa ou tendente à maldade? Daí a convivência sem resistências do
confucionismo com outras confissões, como o budismo ou cristianismo,
desde que esta coexistência não ameace a estabilidade da sociedade
tradicional chinesa.


HINDUÍSMO

O hinduísmo é essencialmente uma forma de estar no mundo, uma
ortopráxis. A vida, os comportamentos concretos, e tudo o que isso
engloba, é o mais importante para os seguidores desta religião, ao
contrário do que sucede nas religiões monoteístas e nas filosofias
ocidentais, nas quais o hinduísmo vê uma carga exagerada das crenças
e das representações - é por essa razão que, mesmo uma freira
católica como madre Teresa de Calcutá era tão popular entre os
hindus, apesar de não professar a sua religião. O hinduísmo tão pouco
é uma religião "do Livro": os "Vedas", ensinamentos do Absoluto
captados por alguns sábios, foram transmitidos oralmente através dos
tempos.


JIANISMO

Prática e doutrina própria dos sequazes de Jina, "o Vencedor", ou
Mahavira, "o Grande Herói", personagem que viveu na Índia entre os
séculos V e IV a. C. Como o budismo, embora mais radical, defende a
ascese pura e o primado do espiritual. Não reconhece um Deus criador.
Considera-se ateu e a-religioso. Sustenta que a via da libertação do
homem se processa através de uma recta visão, recto conhecimento e
recta conduta. Acredita na reencarnação depois da passagem
purificadora da alma por 14 estádios. É só neste último que a
actividade corpórea se extingue e a alma pura se liberta.


ISLAMISMO

"Não há outro deus senão Deus e Maomé é o seu profeta". Esta é a
proclamação mais importante do islamismo, criado por Maomé, que
começou as suas pregações em 613, em Meca e foi depois forçado a
fugir para Medina, em 622 - sendo esse acontecimento, a Hégira, o
início da era islâmica e do seu calendário. O islamismo repousa sobre
um modo de vida, que se concretiza em cinco pilares essenciais: além
da profissão de fé enunciada, também a oração ritual, cinco vezes por
dia, a esmola, o jejum diurno no mês sagrado de Ramadão e a
peregrinação a Meca, pelo menos uma vez na vida.


JUDAÍSMO

O judaísmo é a herança da tribo de Abraão (considerado o pai
espiritual também de cristãos e muçulmanos) e dos semitas do Médio
Oriente, afirmando, pela primeira vez na história humana, a crença no
Deus único e criador, que se manifesta e se revela sucessivamente
através dos patriarcas Abraão, Issac e Jacob, depois por Moisés e por
sucessivos profetas. O monoteísmo significa um passo histórico na
concepção religiosa, traduzido pelo judaísmo na fórmula "Escuta
Israel, o Senhor é nosso Deus, o Senhor é um", afirmação da crença
nesse Deus único. Os judeus acreditam que está por chegar o Messias
libertador.


RELIGIÕES TRADICIONAIS AFRICANAS

Conhecidas também, incorrectamente, como animismo africano. Procuram
um equilíbrio entre homem e Natureza, sendo a ligação ao Divino feita
através de ritos e símbolos na invocação da figura do antepassado.
Preconiza a existência de um único Deus que se revela no quotidiano
da existência humana, na Natureza, no indeterminado. Não existe uma
clara distinção entre o sagrado e o profano. Em vez da salvação,
estas confissões africanas - cujos ritos variam segundo a cultura de
cada povo - detêm-se na busca da Redenção.


SIKHISMO

A palavra sikh, em língua panjabi, deriva do sânscrito "shishya", que
significa discípulo. Fundada por Guruk Nanak, nascido, na Índia, em
1469. O fundador iniciou aos 27 anos um périplo que o levaria para
fora da Índia, até Meca e Bagdad. Nanak preconizava a unicidade de
Deus, "o simples Uno". Afirma que o fim supremo do homem é a
libertação (Mukti), que decorre de uma intensa disposição amorosa. As
causas da escravidão do homem encontram-se no egoísmo que o afasta da
fonte original. Superado este, atinge-se a Verdade. O homem enquanto
criação de Deus é essencialmente bom.


TENRIKYO

A "Religião da Verdade Celeste" é uma das mais importantes novas
religiões do Japão, cujas origens se encontram em 1838, nas
revelações e experiências místicas de Nakayama Mukyuma, mulher de
dons carismáticos. Inicialmente uma seita xintoísta, adquiriu
autonomia, sendo considerada hoje uma religião com uma missão
universal. Um dos seus principais dogmas refere-se à revelação da
divindade Tenri-o-no-mikoto, que terá dado a conhecer o local onde o
homem foi criado - o centro da cidade de Tenri. A esperança
escatológica de uma era de perfeição manifestar-se-á nesta pátria
espiritual do homem desde que a Humanidade demonstre esforço em viver
segundo as regras da sensibilidade e harmonia.


XINTOÍSMO

Literalmente "Xinto" - "via dos Okami"(divindades) -, mas também
práticas tradicionais. Implantada no Japão, o xintoísmo não dispõe de
um corpo doutrinal bem definido, exprimindo uma grande variedade de
modelos, ritos e sistema de valores, próprios do povo japonês.
Reveste-se de quatro formas: a forma imperial, a forma dos templos,
das seitas e popular. Expressão do estilo de vida japonês ritualizada
na participação em cerimónias legitimadoras da pertença a uma dada
comunidade, mais do que a um dogma. Daí que a adesão a outras
confissões não levante resistências, desde que não perturbe a
harmonia da vida em comum e, em última análise, da nação japonesa.


ZOROASTRIANISMO

Com mais de três mil anos, é considerada uma das mais antigas
religiões e a mais importante da Antiguidade pré-islâmica no Irão.
Tem como fundador Zaratrustra (Zoroasto), que viveu no I milénio
a.C., também conhecida como Mazdaísmo, de Mazda (sábio), o estudo das
suas fontes teológicas apresenta grandes dificuldades. Um livro
principal - a "Avesta", textos reunidos por escrito entre o IV e o VI
séculos da era comum. Monoteísta, sustenta-se num radical dualismo
ético organizado na oposição entre os Spenta Mainyu (espíritos
benéficos) e Angra Mainyu (espíritos hostis), que emergem segundo a
escolha entre a verdade e a mentira, escolha arquetípica e
sintomática das decisões tomadas pelos homens ao longa da sua
existência.


Carlos Picassinos, com António Marujo




 


[João]


Chegámos à conclusão de que os prisioneiros da guerra contra o
terrorismo não são prisioneiros de guerra.

Quando o que interessava era conduzir os parceiros da NATO para um
ataque militar (é bom lembrar que se não fosse guerra, não teriam
sido accionados automaticamente os mecanismos de cooperação entre os
países da NATO após o dia 11 de Setembro), chamaram a isto guerra.
Agora chamam aos prisioneiros do inimigo "terroristas 'hard core'".

"
P - Os detidos em Guantanamo são prisioneiros de guerra ou não?

R - A Administração norte-americana acha que não. O secretário da
Defesa, Donald Rumsfeld, chamou-lhes há dias "terroristas 'hard
core'".
"

Não interessa nada o que lhes chamam. Interessa a maneira como os
tratam. Faz sentido que tenham os direitos previstos na Convenção de
Genebra? Ou faz sentido que seja o governo americano a aprovar
legislação sobre prisioneiros terroristas 'hard core'?

João


projecto21 - 23 Jan 2002



 


[João]


Saíram a público, pelas mãos do exército americano, fotografias dos
prisioneiros da Al Queda na base dos EUA em Cuba. Estas fotografias
mostram a forma desumana como os prisioneiros estão a ser tratados.
Em Portugal não terão, certamente, grande impacto. E num país
muçulmano como o Irão ou Paquistão?

Que Alá ajude esses pobres.
Que a Europa ajude os USA nesta luta, evitando asneiras deste tipo.

João



 



[João]
[Pelos Direitos Humanos]



Mundo a Preto e Branco


Os acontecimentos de 11 de Setembro trouxeram ao mundo,
instantaneamente, a consciência da inter-dependência entre as
diferentes civilizações. Fruto da globalização, este novo paradigma
das relações entre os povos deverá conduzir-nos, em última análise, à
convivência saudável e sinérgica. Ou à destruição mútua.

Mas este paradigma ainda não está completamente inscrito nas mentes
dos habitantes deste planeta. Muitas nações pretendem ainda a
afirmação da sua superioridade, mesmo pela força. Os seus líderes
estimulam este sentimento nacionalista para unir o povo em seu torno.
E em vez de afirmarem as suas diferenças no sentido de contribuir
para um planeta culturalmente mais rico, essas nações continuam a
avaliar as outras pelos mesmos critérios com que se avaliam a si
próprias. Esta espécie de daltonismo não percebe que a cor verde
ganha valor por existir a vermelha, e mais ainda por existir a azul e
a amarela. Nem percebe que estas cores se podem misturar e,
incrivelmente, criar cores novas que ainda valorizam mais as outras.

Combinado com o indispensável maniqueísmo, este comportamento
daltónico desenha mapas de bons e maus. Todos em busca do mesmo e em
luta pelo mesmo. Bons e maus. Como se os fins não fossem comuns. Como
se não pertencêssemos à mesma espécie.

Na análise geopolítica, tão em voga hoje em dia, a teoria dos jogos
encontrou uma nova aplicação. Talvez uma breve explicação da tabuada
desta teoria, que todos conhecemos sem saber, possa ser útil. A
tabuada é o dilema do prisioneiro.

Dois suspeitos de um crime são interrogados separadamente. Ambos são
acusados de ver o mundo a cores. Para que sejam condenados, é preciso
que pelo menos um deles acuse o outro, confessando também, ele
próprio, o crime.

Se nenhum confessar, ambos sairão em liberdade. Caso um deles
confesse, terá uma pena leve e o outro uma pena pesada. Se ambos
confessarem, terão penas leves. O comportamento que conduz a mais bem-
estar para os dois corresponde à situação na qual nenhum confessa,
saindo ambos em liberdade. No entanto, o comportamento racional
poderá ser o oposto. Porquê?

Cada um dos prisioneiros raciocina da seguinte forma: se eu não
confessar, posso sair em liberdade (caso o outro também não confesse)
ou ter uma pena pesada; se confessar, terei, em qualquer dos casos,
uma pena leve. É perfeitamente crível, assim, que pelo menos um deles
confesse, e que o comportamento dos dois não seja o melhor para eles
próprios.

A solução do dilema do prisioneiro corresponde, quase
invariavelmente, a um comportamento egoísta. Não sendo o melhor
comportamento para os actores envolvidos em conjunto, é aquele que
minimiza o prejuízo do decisor. É o desenvolvimento de uma relação de
confiança entre os actores que conduz ao comportamento que maximiza o
bem-estar do grupo.

Caso já tenham estado perante esta situação, não tendo confessado
nenhum deles, é muito provável que, de novo, não confessem, e que
voltem a sair em liberdade. Se, no futuro, um deles denunciar o
outro, é possível que a relação anterior de confiança se torne numa
de desconfiança, e que passem ambos a confessar sempre que estiverem
perante o dilema.

É esta a lei da inércia da confiança. Portas abertas mantêm-se
abertas; portas fechadas mantêm-se fechadas.

Voltemos agora ao contexto actual da luta contra o terrorismo. Não é
uma luta entre civilizações. É uma luta pelas civilizações. Uma luta
contra a barbárie, por todas as civilizações. Pelos direitos humanos.
Contra a escravatura. Contra a tortura. Contra a miséria.

O muro de Berlim foi construído em 1961. Caiu em 1989. O muro da
escravatura ainda não caiu. O muro da tortura também não. Nem o da
miséria.

A nossa sociedade não pode tolerar a escravatura do sexo, dos órgãos,
ou da guerra. A nossa sociedade não pode tolerar a tortura dos
criminosos e prisioneiros. A nossa sociedade não pode tolerar a
miséria.

Importante, nesta luta, é não fechar mais portas. Muitas portas já
estão fechadas, e será preciso muito tempo para que se voltem a
abrir. Essa união terá de crescer a partir das crianças, estamos a
falar, na melhor das hipóteses, de uma geração. Quanto tempo até que
as crianças dos dois lados possam brincar juntas?

Importante, nesta luta, é abrir portas. Perante a barbárie, devemos
responder com justiça. Mas respeitando sempre os valores que
defendemos, a nossa bandeira. E a nossa bandeira é a do direito, a da
liberdade, da igualdade, a da fraternidade. O mais forte dá,
normalmente, o exemplo. É isso que devemos exigir a nós próprios.
Temos o dever de dar o exemplo. E vamos fazê-lo. Intransigentemente.


João



projecto21 - 21 Jan 2002




 


[João]


Passaram quase quarenta anos desde o dia em que Martin Luther King
fez o seu discurso mais famoso, perante 250 000 pessoas. Cinco anos
mais tarde morreria assassinado. Mas não a sua mensagem. Hoje, o
sonho de liberdade para todos continua a não passar de isso mesmo. Um
sonho. A escravatura continua. A pobreza continua. A luta continua. O
sonho continua.

João


______________________________________________________


I have a Dream
by Martin Luther King, Jr.

Delivered on the steps at the Lincoln Memorial in Washington D.C. on
August 28, 1963

Five score years ago, a great American, in whose symbolic shadow we
stand signed the Emancipation Proclamation. This momentous decree
came as a great beacon light of hope to millions of Negro slaves who
had been seared in the flames of withering injustice. It came as a
joyous daybreak to end the long night of captivity.

But one hundred years later, we must face the tragic fact that the
Negro is still not free. One hundred years later, the life of the
Negro is still sadly crippled by the manacles of segregation and the
chains of discrimination. One hundred years later, the Negro lives on
a lonely island of poverty in the midst of a vast ocean of material
prosperity. One hundred years later, the Negro is still languishing
in the corners of American society and finds himself an exile in his
own land. So we have come here today to dramatize an appalling
condition.

In a sense we have come to our nation's capital to cash a check. When
the architects of our republic wrote the magnificent words of the
Constitution and the declaration of Independence, they were signing a
promissory note to which every American was to fall heir. This note
was a promise that all men would be guaranteed the inalienable rights
of life, liberty, and the pursuit of happiness.

It is obvious today that America has defaulted on this promissory
note insofar as her citizens of color are concerned. Instead of
honoring this sacred obligation, America has given the Negro people a
bad check which has come back marked "insufficient funds." But we
refuse to believe that the bank of justice is bankrupt. We refuse to
believe that there are insufficient funds in the great vaults of
opportunity of this nation. So we have come to cash this check -- a
check that will give us upon demand the riches of freedom and the
security of justice. We have also come to this hallowed spot to
remind America of the fierce urgency of now. This is no time to
engage in the luxury of cooling off or to take the tranquilizing drug
of gradualism. Now is the time to rise from the dark and desolate
valley of segregation to the sunlit path of racial justice. Now is
the time to open the doors of opportunity to all of God's children.
Now is the time to lift our nation from the quicksands of racial
injustice to the solid rock of brotherhood.

It would be fatal for the nation to overlook the urgency of the
moment and to underestimate the determination of the Negro. This
sweltering summer of the Negro's legitimate discontent will not pass
until there is an invigorating autumn of freedom and equality.
Nineteen sixty-three is not an end, but a beginning. Those who hope
that the Negro needed to blow off steam and will now be content will
have a rude awakening if the nation returns to business as usual.
There will be neither rest nor tranquility in America until the Negro
is granted his citizenship rights. The whirlwinds of revolt will
continue to shake the foundations of our nation until the bright day
of justice emerges.

But there is something that I must say to my people who stand on the
warm threshold which leads into the palace of justice. In the process
of gaining our rightful place we must not be guilty of wrongful
deeds. Let us not seek to satisfy our thirst for freedom by drinking
from the cup of bitterness and hatred.

We must forever conduct our struggle on the high plane of dignity and
discipline. We must not allow our creative protest to degenerate into
physical violence. Again and again we must rise to the majestic
heights of meeting physical force with soul force. The marvelous new
militancy which has engulfed the Negro community must not lead us to
distrust of all white people, for many of our white brothers, as
evidenced by their presence here today, have come to realize that
their destiny is tied up with our destiny and their freedom is
inextricably bound to our freedom. We cannot walk alone.

And as we walk, we must make the pledge that we shall march ahead. We
cannot turn back. There are those who are asking the devotees of
civil rights, "When will you be satisfied?" We can never be satisfied
as long as our bodies, heavy with the fatigue of travel, cannot gain
lodging in the motels of the highways and the hotels of the cities.
We cannot be satisfied as long as the Negro's basic mobility is from
a smaller ghetto to a larger one. We can never be satisfied as long
as a Negro in Mississippi cannot vote and a Negro in New York
believes he has nothing for which to vote. No, no, we are not
satisfied, and we will not be satisfied until justice rolls down like
waters and righteousness like a mighty stream.

I am not unmindful that some of you have come here out of great
trials and tribulations. Some of you have come fresh from narrow
cells. Some of you have come from areas where your quest for freedom
left you battered by the storms of persecution and staggered by the
winds of police brutality. You have been the veterans of creative
suffering. Continue to work with the faith that unearned suffering is
redemptive.

Go back to Mississippi, go back to Alabama, go back to Georgia, go
back to Louisiana, go back to the slums and ghettos of our northern
cities, knowing that somehow this situation can and will be changed.
Let us not wallow in the valley of despair.

I say to you today, my friends, that in spite of the difficulties and
frustrations of the moment, I still have a dream. It is a dream
deeply rooted in the American dream.

I have a dream that one day this nation will rise up and live out the
true meaning of its creed: "We hold these truths to be self-evident:
that all men are created equal."

I have a dream that one day on the red hills of Georgia the sons of
former slaves and the sons of former slaveowners will be able to sit
down together at a table of brotherhood.

I have a dream that one day even the state of Mississippi, a desert
state, sweltering with the heat of injustice and oppression, will be
transformed into an oasis of freedom and justice.

I have a dream that my four children will one day live in a nation
where they will not be judged by the color of their skin but by the
content of their character.

I have a dream today.

I have a dream that one day the state of Alabama, whose governor's
lips are presently dripping with the words of interposition and
nullification, will be transformed into a situation where little
black boys and black girls will be able to join hands with little
white boys and white girls and walk together as sisters and brothers.

I have a dream today.

I have a dream that one day every valley shall be exalted, every hill
and mountain shall be made low, the rough places will be made plain,
and the crooked places will be made straight, and the glory of the
Lord shall be revealed, and all flesh shall see it together.

This is our hope. This is the faith with which I return to the South.
With this faith we will be able to hew out of the mountain of despair
a stone of hope. With this faith we will be able to transform the
jangling discords of our nation into a beautiful symphony of
brotherhood. With this faith we will be able to work together, to
pray together, to struggle together, to go to jail together, to stand
up for freedom together, knowing that we will be free one day.

This will be the day when all of God's children will be able to sing
with a new meaning, "My country, 'tis of thee, sweet land of liberty,
of thee I sing. Land where my fathers died, land of the pilgrim's
pride, from every mountainside, let freedom ring."

And if America is to be a great nation this must become true. So let
freedom ring from the prodigious hilltops of New Hampshire. Let
freedom ring from the mighty mountains of New York. Let freedom ring
from the heightening Alleghenies of Pennsylvania!

Let freedom ring from the snowcapped Rockies of Colorado!

Let freedom ring from the curvaceous peaks of California!

But not only that; let freedom ring from Stone Mountain of Georgia!

Let freedom ring from Lookout Mountain of Tennessee!

Let freedom ring from every hill and every molehill of Mississippi.
From every mountainside, let freedom ring.

When we let freedom ring, when we let it ring from every village and
every hamlet, from every state and every city, we will be able to
speed up that day when all of God's children, black men and white
men, Jews and Gentiles, Protestants and Catholics, will be able to
join hands and sing in the words of the old Negro spiritual, "Free at
last! free at last! thank God Almighty, we are free at last!"



projecto21 - 21 Jan 2001



 


[João]


18 Janeiro 2002
Um Sistema Corrupto
por PAUL KRUGMAN
http://www.nytimes.com/2002/01/18/opinion/18KRUG.html?todaysheadlines
(traduzido por joão silva)


É claro que Larry Lindsay não devia ter descrito o caso Enron como
um "tributo ao capitalismo Americano", e que
Paul O'Neill não devia ter declarado: "Empresas vêm e vão. Faz parte
do génio do capitalismo." Tanto o principal economista da Casa Branca
como o Secretário do Tesouro foram censurados pela sua indiferença
relativamente às vítimas deste caso. Teriam razão?

Sim – mas os seus comentários sugerem que eles ainda não
compreenderam o que aconteceu. O colapso da Enron não é simplesmente
uma história de uma empresa que falhou; é a história de um sistema
que falhou. E o sistema não falhou por falta de cuidado ou preguiça;
estava corrupto.

O Sr. Lindsey e o Sr. O'Neill estavam, efectivamente, a dar uma
pancada nas costas a eles próprios por terem permitido à Enron que
falhasse. De facto, esta é uma componente redentora da saga. Afinal
pode estar-se demasiado bem associado; a Enron estava tão embrulhada
com a administração Bush que qualquer salvamento teria sido
politicamente desastroso.

Focando-nos na eventual falência da Enron, falhamos o ponto chave. A
verdadeira questão é o que é que os executivos da Enron conseguiram
durante os bons tempos.

Costumamos considerar a viabilidade das corporações, nas quais os
gestores profissionais olham pelos interesses dos accionistas, como
um dado. Mas, como os economistas desde Adam Smith avisaram, a
separação entre a posse e a gestão abre possibilidades de abusos
internos. De facto, Smith achava que esta separação era má ideia,
excepto para uma mão cheia de negócios.

Mas não podes ter uma economia moderna com companhias familiares e
parcerias. O capitalismo, tal como o conhecemos, depende de uma série
de instituições – muitas delas providenciadas pelo governo – que
limitam o potencial para os abusos internos. Estas instituições
incluem as modernas regras contabilísticas, os auditores
independentes, a regulação das obrigações e dos mercados financeiros
e a proibição do "inside trading".

O caso Enron mostra que estas instituições foram corrompidas. Nenhuma
das barreiras ao "inside trading" foi eficaz; as entidades
independentes foram comprometidas.

A rede Bizantina da Enron, com 3,000 subsidiárias e parcerias – uma
para cada sete empregados – ridicularizou as regras contabilísticas e
as leis contra o "inside trading". Não foi por acaso que essa rede
permitiu à Enron evitar impostos em quatro dos últimos cinco anos. E
os executivos da Enron sabiam o que estavam a fazer. Uma carta de
Agosto passado de um vice-presidente para o presidente da Enron,
Kenneth Lay, descrevia como companhias com nomes do género de Condor
e Raptor, eram usadas para criar lucros fictícios, e citava um gestor
que chamava desonesta à empresa: "We are such a crooked company."

A empresa de contabilidade de Arthur Andersen foi informada acerca
destas preocupações. No entanto, passou um cheque em branco à Enron,
e destruiu documentos quando as suspeitas se levantaram. Os
reguladores apareceram, em parte porque políticos com laços pessoais
com a Enron, como o senador Phil Gramm, trataram de isentar a Enron
de regulação.

O Sr. Lindsey e o Sr. O'Neill querem que acreditemos que tudo está
bem quando acaba mal; porque se permitiu à Enron que falhasse, foi
feita justiça e o sistema funcionou. Mas a Enron não é uma pessoa; os
malfeitores foram os executivos da Enron, que saíram com pelo menos
1.1 biliões de dólares.

Não é somente uma questão da absoluta injustiça disto tudo – os
empregados perdem as suas poupanças enquanto os executivos malvados
se vão embora ricos. É também uma questão de aquilo que o capitalismo
precisa para funcionar. Os investidores têm de estar razoavelmente
seguros de que os lucros reportados são reais, que os executivos não
vão usar as suas posições para enriquecer à custa dos accionistas e
empregados, que quando houverem abusos internos, estes serão
descobertos e punidos.

Acabámos de ver uma demonstração gráfica de que o sistema que era
suposto fornecer estas garantias não funciona. E ninguém que eu
conheça na comunidade financeira considera a Enron como um caso
isolado.

No entanto, todas as evidências sugerem que a administração Bush não
percebe isto. Pelo contrário, até às últimas revelações estava a
caminhar no sentido errado. Harvey Pitt, o novo presidente
da "Securities and Exchange Commission", fez a sua reputação como
advogado de empresas de contabilidade – incluindo a Andersen – em
lutas para manter a independência dos auditores. Agora vemos o que a
Andersen fez com essa independência.

A verdade é que as instituições chave que sustentam o nosso sistema
económico foram corrompidas. A única questão que sobra é quão longe e
quão alto essa corrupção se espalhou.



_______________________________________________

OP-ED
=========================
A System Corrupted
By PAUL KRUGMAN
The Enron debacle is not just the story of a company that
failed; it is the story of a system that failed.
http://www.nytimes.com/2002/01/18/opinion/18KRUG.html?todaysheadlines




 


[João]


Global Movement for Children

Podem encontrar neste site um mapa interactivo sobre as crianças
deste planeta.

Por exemplo, sobre minas anti-pessoais:
- custo de 1 mina: $3 a $10
- custo de remoção de 1 mina: $300 a $1000
- custo de explosão das minas: 8000 a 10000 crianças mortas ou
deficientes por ano

http://www.gmfc.org/en/fightpoverty/learnmore_html



 


[Ramiro]
[Rússia - política e diamantes]


Olá, noticia curiosa da Russia. As eleições por lá parecem as de Gondomar, talvez um bocadinho pior. A ser verdade o conteudo da noticia, os russos estão em muito maus lençois, ou pelo menos tem-nos pendurados à janela.

Bem ainda pior é a concentração do dinheiro e do poder politico, esta concentração é cada vez maior e nos ultimos tempos a acção politica dos "ricos" deixou de ser através de intermediarios e passou a ser directa. O caso mais visivel é o sr Berlusconi, mas há cada vez mais.

Mas a nossa vidinha é o trabalho, estas coisas na são areia pro nosso camião!!!! (deviamos por o pessoal a ouvir o Mario Branco)

RCM



"Favorito do Kremlin vence na Sibéria

Viacheslav Shtirov, patrão do monopólio da exploração de diamantes Alrosa, venceu ontem com 59 por cento dos votos a eleição para governador da região siberiana da Yakutia, na Rússia. A eleição de Shtirov, o candidato favorito do Kremlin, veio, segundo os observadores, consolidar a estratégia do Presidente Vladimir Putin de colocar as regiões sob o seu controlo. O escrutínio foi marcado por várias controvérsias, que passaram por processos judiciais contra ambos os candidatos, golpes baixos em campanhas de imprensa, e pressões do Kremlin para que o adversário de Shtirov, Mikhail Nikolaiev, se retirasse da corrida - o que acabou efectivamente por acontecer. No início, Nikolaiev tentou resistir à ofensiva de Moscovo, mas, depois de Putin ter chamado ao Kremlin os dois candidatos e ter premiado Shtirov pela sua gestão da indústria diamantífera, aquele acabou por desistir da corrida. A percentagem de votantes foi bastante alta (75 por cento), mas, segundo a Reuters, isso deve-se em parte ao facto de os eleitores terem a oportunidade de ganhar um televisor, um carro ou compras de mercearia mais baratas se fossem votar."

http://jornal.publico.pt/publico/2002/01/15/Mundo/I25.html




 

[João]


Segundo este artigo, o caso Enron não passa da ponta do iceberg das
relações entre políticos e financiadores.


OP-ED
=========================
Crony Capitalism, U.S.A.
By PAUL KRUGMAN

The Bush administration fears, and the press suspects, that
the latest revelations in the Enron affair will raise the
lid on crony capitalism, American style.

http://www.nytimes.com/2002/01/15/opinion/15KRUG.html?todaysheadlines


____________________________________________________________


Neste artigo é discutida a (des)confiança dos americanos nas grandes
corporações e instituições financeiras.


Private Sector, Public Doubts
By DAVID CALLAHAN
The emerging story of Enron's collapse is about an abuse
of corporate power.
http://www.nytimes.com/2002/01/15/opinion/15CALL.html?todaysheadlines




 


[João]


Uma das vítimas da demissão do primeiro-ministro foi a reforma da
acção executiva. Havia consenso entre juízes e advogados quanto à
bondade da reforma que visava desentupir os tribunais, acelerando
milhares de processos de cobrança de dívidas.

"O processo executivo passaria a ser conduzido por "agentes de
execução" (função que seria exercida por solicitadores ou
funcionários judiciais) que poderiam realizar as penhoras, sem
intervenção do juiz ou necessidade de citação."

Dado que o governo se encontra limitado a actos de gestão corrente,
esta reforma ficou congelada.

A justiça portuguesa, mais do que leis, precisa de execução em tempo
útil. Actualmente, milhares de processos prescrevem, ou demoram tanto
tempo que acaba por não se fazer justiça. Não se convençam de que isto é
inevitável.

João



Lei Que Definia Responsabilidades do Estado Fica pelo Caminho
Por CATARINA GOMES

Duas das reformas de maior fôlego na área da justiça, a Lei da
Responsabilidade Civil Extracontratual do Estado e a reforma da acção
executiva (processos de cobrança de dívidas) ficaram pelo caminho em
consequência da demissão do primeiro-ministro, que apenas permite ao
Governo o exercício de actos de gestão corrente.

http://jornal.publico.pt/2002/01/15/Sociedade/S09.html



 

[João]


"Genérico? Já Não Temos, Deve Ter Passado a Validade"
Por MARIA JOÃO GUIMARÃES*

Os genéricos encontram-se dificilmente nas farmácias. Perguntámos
por "Paraceptamol", genérico do "Panadol", cuja caixa de 12
comprimidos custa metade da de 20 do fármaco de marca. Não há.
Perguntámos por "Iboprufeno", o genérico do "Trifene 200", que custa
à volta de um terço do de marca. Não há.

http://jornal.publico.pt/2002/01/15/Sociedade/S05.html

http://jornal.publico.pt/2002/01/15/Sociedade/S05CX01.html

____________________________________________


O Serviço Nacional de Saúde gasta mais de 200 milhões de contos por
ano em produtos farmacêuticos. Esta verba poderia ter diminuído
devido à introdução dos genéricos no mercado. No entanto, a
possibilidade de uma poupança de dezenas de milhões de contos não
parece ter entusiasmado o governo. Que não fez uma campanha de
sensibilização eficaz. Nem tomou medidas no sentido de incentivar (ou
obrigar) os médicos a prescrever princípios activos em vez de marcas
comerciais.

João



 


[Cláudia]


Olá a todos!

Ainda sobre a liberdade de imprensa…
Na revista Pública do passado domingo (13/01/2002) vem uma entrevista com um escritor americano, Gore Vidal, exilado em Itália. Este senhor, pouco querido entre os seus compatriotas, acabou de publicar um livro “O fim da Liberdade – A caminho de um novo totalitarismo” que passa em revista, com um olhar bastante crítico, a realidade norte-americana. Escusado será dizer que este livro, como qualquer obra deste autor, já foi censurado nos EUA.

Deixo-vos aqui alguns “recortes dessa entrevista.

Cláudia

-----------

link:
http://jornal.publico.pt/publico/2002/01/14/Publica/TM02.html


1.Osama Bin Laden e os Ataques Terroristas (nota: este assunto está sempre na ordem do dia!:-)

Para Gore, Bin Laden soube aproveitar de forma brilhante uma altura de maior fragilidade do ocidente – a economia mundial a entrar em recessão, a nova moeda na Europa.
E porque é que foram desencadeados estes ataques terroristas? Diz Gore: “Os EUA não se preocupam mais do que em defender os seus interesses petrolíferos - e nós em Washington temos um governo inteiramente composto por homens do petróleo. Bush, pai e filho, o seu braço-direito [vice-presidente Dick] Cheney, Donald Rumsfeld [secretário de Estado da Defesa] são homens do petróleo. Não sabem nada de história, geografia ou política americana. Estão no negócio do petróleo e querem fazer dinheiro. Só vêem isso.
Pode ser que um dia tenhamos sarilhos. Na Arábia Saudita, os EUA apoiam a família real, que é extremamente impopular... Bin Laden desertou da Arábia. Pertenceu aos círculos da família real, mas desertou porque chamar os americanos para combater o comunismo no Afeganistão significou não só uma ofensa pessoal, mas, sobretudo, significou chamar o infiel.“


2. Os americanos, os Presidentes e as Guerras (os maus e os bons)

Iraque (Bush Pai):
“Tudo porque Bush sénior precisava de uma guerra para ser popular. Ele nunca conseguiu ser popular a não ser durante a guerra. Foram 15 minutos de glória, em que Bush gozou de 90 por cento de popularidade, e depois as coisas começaram a andar mal.”

Guerra ao Terrorismo (Bush Filho):
“Agora, o filho diz que esta vai ser uma guerra longa. Porque será? Porque, está a ver, eles são os maus e nós somos os bons. Os maus odeiam os bons. E é este o nível intelectual do debate a que se chegou em Washington.”

A vontade do povo
“Os Estados Unidos nunca foram favoráveis a qualquer grande guerra (…) a não ser quando fomos atacados como em 1812 ou em Pearl Harbour. Sempre tentámos ficar
fora das guerras. Os nosso líderes sempre foram favoráveis, mas o povo nunca. Foram os nossos líderes, geralmente banqueiros ou com ligação a grandes interesses económicos, que lançaram verdadeiras campanhas de propaganda para provocar alguém a executar qualquer coisa parecida ao que aconteceu com as Torres Gémeas.


3. O Estado-Polícia

O sonho é construir um Estado-polícia…
“Neste momento, quase todo o planeta é nosso inimigo. Deite os olhos à lista que aí está [no livro, onde Gore Vidal enumera todos os conflitos em que os Estados Unidos estiveram presentes desde 1948 até hoje]. Como é que se age com um país completamente descontrolado? E com as lideranças militares fora de mão?... que só querem mais e mais dinheiro para armas... Bem, é um tropismo." (...)
“As nações são tropismos. E a natureza, o poder, a força de um tropismo reside sempre na sua disseminação. Quando um tropismo deixa de crescer, atrofia, fica sem energia e entra num processo de entropia. “


4. Novos Ecos Totalitaristas

"Segurança da pátria"...
"Achtung"...
"Devemos proteger a pátria". Isto não são frases usadas por americanos. Isto é quase uma tradução do discurso alemão de 1935. "Nova ordem mundial!" Foi o Bush sénior que se saiu com esta. Isto era uma frase do Hitler. Esta gente é completamente ignorante e não tem ninguém que os informe.”


5. O papel dos Media

Gore continua: os Media, em vez de darem conta destes movimentos de alguns milhões de americanos que se autodenominam de “patriotas americanos”, privilegiam a
Guerra contra o Terrorismo e as histórias de Bin Laden, numa atitude de “subserviência, parcialidade e toxicidade”.

“Os "media" existem para servir os seus proprietários. E os proprietários são as grandes corporações americanas que oferecem dois biliões de dólares ao primo Al [Gore, candidato democrata às presidenciais americanas de 2000], ou dois biliões - se calhar um bocadinho mais - ao Bush para se tornar Presidente dos Estados Unidos.
Os "media" são hoje máquinas de propaganda. É essa a sua função. (…) Os jornalistas nunca perguntam "porquê" que alguma coisa aconteceu. Dizem só que aconteceu. Bem, na verdade, já nem isso precisam dizer. (…)Obviamente que há jornalistas na televisão que são, moderadamente, livres e que tentam fazer o seu melhor.
Mas ninguém quer saber disso. As pessoas estão demasiado ocupadas a ler o quão mau é o Bin Laden. Esta visão maniqueísta do mundo é muito peculiar dos americanos. É peculiarmente americana.”

"O inimigo é o mal, nós somos o bem" e isto supõe responder a todas as questões.”


7.Um conselho ao G. W. Bush

“Que vá para casa. Antes de mais, ele nem sequer deveria ser Presidente. Ele não foi eleito. Num país bem governado, teríamos tido, pelo menos, alguma possibilidade de garantir que o vencedor de uma eleição é mesmo o vencedor. Mas o Supremo Tribunal decidiu que o derrotado fosse Presidente. E ele agora está na presidência para fazer ganhar mais dinheiro aos mais ricos e para aliviar as grandes corporações do peso dos impostos. Só que as reservas do país estão tão em baixo que não vai haver dinheiro
para a guerra. Washington diz que vai custar um bilião de dólares. (…) Nós não temos dinheiro que aguente uma guerra longa. Mas ele vai arrastar isto até às eleições de
2004 para ser reeleito, porque pensa que um presidente em tempo de guerra será reeleito, tal como aconteceu com Roosevelt. Mas o Roosevelt tinha uma visão das
coisas e isto não passa de um combate contra a Mafia, que deve ser conduzido de maneira diferente. Não se pode basear na explosão de um país.”

“Há qualquer coisa de suicida em tudo aquilo que ele [Bush] faz. São atitudes que têm repercussões que ele não consegue imaginar. Ele não tem qualquer noção de
causa e efeito. Ele balbucia o que lhe dizem. "Temos de permanecer erguidos." Pois é... Quanto mais erguidos ficarem, mais possibilidades têm de ser atingidos por um avião "kamikaze". Hoje em dia, a política não passa de uma questão de dinheiro. A política trata de saber quem cobra que dinheiro a quem para dar a quem para fazer o quê.”


[Cláudia]


projecto21 - 15 Jan 2002




 


[Ramiro]



Ola,
este mail fica mesmo bem na sequência da noticia sobre a limitação da liberdade de imprensa que se tenta instalar nos US.
Hoje vem uma noticia NYTimes onde se diz que os US estão a tornar publicos documentos "cientificos" onde se mostra como produzir armas biologicas, incluindo o antrax e o bacilo do botulismo. Estranha incongruencia, especialmente quando estão tão empenhados na luta contra o terrorismo.
Porque será que de repente sentiram necessidade de tornar publica este tipo de informação?
Uma coisa é ensinar a alguem como fazer uma bomba nuclear, pelo menos agora só lhe estás a ensinar "conhecimentos cientificos", pq não vai ter dinheiro nem meios para a fazer. Outra é pegar nuns reactores quimicos (panelas) e com mais algun jeito e conhecimentos fazer armas mortiferas (esta é um bocadinho pessimista!).

O link é : http://www.nytimes.com/2002/01/13/national/13GERM.html?todaysheadlines
RCM


projecto21 - 14 Jan 2002




 

[João]


Segundo o governo americano, os prisioneiros Taliban, que estão a ser
transferidos para a baía de Guantanamo (Cuba!), não são considerados
prisioneiros de guerra. Não têm, portanto, os direitos e previlégios
previstos para estes.

Parece que se estão a preparar para violar direitos fundamentais
destes prisioneiros. Isto é completamente contraproducente
(relativamente ao combate ao terrorismo), os americanos continuam a
não dar o exemplo de respeito pelos direitos do homem. É assim que se
alimentam os ódios e os terrorismos.

João




 


[João]


Birmânia: Planos de arma nuclear

A junta militar no poder na Birmânia anunciou ontem que tenciona
entrar no clube nuclear, começando por criar uma central de pesquisa
para fins médicos e, mais tarde, talvez, gerar energia atómica. Mas o
ministro dos Negócios Estrangeiros, Win Aung, disse à estação de
rádio britânica BBC que ainda demorará algum tempo até à construção
de um reator. Nas últimas semanas têm circulado rumores de que a
Rússia assinou um acordo com os birmaneses para lhes fornecer um
reactor.

http://jornal.publico.pt/2002/01/13/Mundo/IBREVES.html#ST5
http://news.bbc.co.uk/hi/english/world/asia-
pacific/newsid_1755000/1755462.stm



Contexto:

Nas eleições de 1990, o partido da oposição teve uma vitória clara,
mas a Junta Militar recusou-se a entregar o poder. A líder da
oposição e prémio Nobel Aung San Suu Kyi, que esteve em prisão
domiciliária de 1989 a 1995, encontra-se de novo nessa situação
(desde Setembro de 2000), sendo os seus apoiantes maltratados e
presos frequentemente.

A Birmânia é um dos maiores produtores mundiais de ópio. O seu
governo reprime à força 45 milhões de pessoas. Faz fronteira com a
China, Índia, Tailândia, Laos e Bangladesh. Que tal a perspectiva de
ver este regime com armas nucleares?

João


projecto21 - 13 Jan 2002




 

[João]
[Afeganistão]


Este artigo analisa a situação no Afeganistão e traça orientações
relativamente ao que o Ocidente deve fazer de modo a estabilizar e
reerguer o Afeganistão.

Começa por atribuir aos 20 anos de invasões, guerra civil e seca, as
responsabilidades da enorme influência dos terroristas no Afeganistão.
Indica depois os problemas que é preciso resolver para recuperar o
Afeganistão:
- a fome: é preciso alimentar a população, e de forma independente
dos senhores da guerra afegãos;
- fazer regressar os refugiados no Irão e Paquistão e os
deslocados no próprio país: é preciso reabilitar a agricultura e a
indústria, sendo o grande obstáculo a presença de milhões de minas
nos campos;
- as infraestruturas estão destruídas: é preciso reconstruir as
cidades, as estradas e o sistema educativo;

Vamos ver..

João


________________________________________________________


Depois dos Taliban
Por ISHAQ NADIRI*
Sábado, 12 de Janeiro de 2002
http://jornal.publico.pt/2002/01/12/EspacoPublico/O04.html




 


[João]
[Orçamento Defesa EUA]


O orçamento americano para 2001 dedicou 279 dos 634 mil milhões de
dólares de verbas disponíveis (após gastos obrigatórios) ao
departamento de defesa (44!). A rubrica seguinte no ranking é a de
Labor, HHS and Education com 98 mil milhões de dólares. Vale a pena
passar os olhos pela tabela.

Note-se, para o bem, que a verba disponível era de 634 mil milhões de
dólares porque os restantes 993 teriam de ser obrigatoriamente gastos
para cumprir compromissos (do quais 422 para a segurança social e 342
para o serviço de saúde).

João


págs 393 e 399 - correspondentes às 379 e 385 do ficheiro)

http://w3.access.gpo.gov/usbudget/fy2001/pdf/budget.pdf


projecto21 - 9 Jan 2002




 


[João]



"Não podia ter havido catástrofe mais asquerosa que a destruição das
Twin Towers. Mas, do ponto de vista simbólico, foi o melhor que nos
podia ter acontecido. Se nós ouvirmos. Se tivermos a coragem de
ouvir, sem virar a cara, o mundo inteiro a berrar que está
completamente farto do Ocidente."

Clara Pinto Correia
"Visão", 3-1-02




 


[João]


Esta nova rubrica do projecto21 é dedicada à economia. Como dizem os
americanos, numa situação de grande incerteza e instabilidade,
um "back to basics" pode ser muito esclarecedor. É isso que se
tentará fazer aqui. Pretendemos dar uma visão global da evolução da
ciência económica até à actualidade. A diversidade de fontes é
desejável neste tipo de exercício, no entanto, a estrutura desta
rubrica basear-se-à no livro "As Grandes Doutrinas Económicas" de
Arthur Taylor (1951). Apreciam-se comentários, sugestões e,
especialmente, pontos de vista.

João




_______________________________________________________


AS GRANDES DOUTRINAS ECONÓMICAS



I - Antiguidade e Idade Média


As primeiras manifestações de um pensamento económico aparecem em
textos legais e religiosos. Alguns autores consideram que já o Velho
Testamento revelava nítidas preocupações de ordem económica, mas as
primeiras tentativas doutrinárias ocorreram na Grécia. Inicialmente
nos textos legislativos, como a constituição de Sólon (VI A.C.), que
testemunha o conflito entre a classe comercial ascendente e a
aristocracia agrária. Mais tarde em livros dedicados, destacando-se
o "Económico" de Xenofonte. Este refere-se à economia doméstica,
contendo uma definição de riqueza, concretizando a ideia de utilidade
e sublinhando as vantagens da divisão do trabalho. Segundo
Xenofonte, "a ciência do senhor reduz-se a saber utilizar o seu
escravo". Em "Eryxias", Xenofonte vai mais longe, mas mantém a
discussão económica subordinada à moral e à política.

O pensamento grego desprezava o trabalho material produtivo e a
actividade comercial. Era considerada indesejável a posse de ouro e
prata. Nenhum cidadão podia possuir mais de quatro lotes de terra.
Platão escreveu "O ouro e a virtude são como pesos colocados nos dois
pratos de uma balança, de tal maneira que um não pode subir sem que
desça o outro."

Nas suas obras, Platão ocupou-se da organização da sociedade, da sua
origem e da sociedade ideal. É o primeiro pensador que se refere
largamente à divisão social do trabalho e à origem e organização
real, e ideal, da cidade-estado. Os cidadãos estarão divididos em
três classes: a dos "guardiões-filósofos". a dos "guerreiros" e a
dos "produtores". Estas classes representam, respectivamente, as três
funções essenciais de qualquer sociedade: a administração, a defesa e
a produção. Os guardiões e os guerreiros viveriam em regime de
absoluto comunismo: de mulheres, filhos e bens.

Platão expõe um pensamento dirigido à repartição dos bens e à
distribuição de propriedade da terra. Foi um reformador social,
enquanto que Aristóteles foi um economista analítico.

Aristóteles discutiu a organização de um estado ideal e criticou os
aspectos comunitários da República ideal de Platão, mas os aspectos
fundamentais da sua doutrina económica são: a análise da troca, a
teoria da moeda e a definição do objecto da economia como ciência. A
ciência económica dividia-se em duas partes: a economia, ou seja, a
economia doméstica, a produção para consumo e a troca directa; e a
crematística, ou seja, a troca monetária, a ciência de adquirir
riqueza. A crematística dividia-se em "necessária" e "pura",
consoante se referia a uma troca (compra-venda) ou a uma compra para
fins comerciais (para revenda).

Aristóteles critica a crematística por ela desviar a moeda da sua
função de medida comum dos valores. Acumular moeda permitia adquirir
quaisquer bens em qualquer momento. Ao ganhar a categoria
de "capital", a moeda abandonava a sua função "natural". Com o mesmo
argumento, condena o empréstimo sem juros.

O desenvolvimento da ciência económica por parte dos romanos é
consequência do sistema jurídico: sistema de contratos, afirmação da
propriedade individual, gaarantia jurídica do direito de testar,
distinção ente direito público e privado, ente o regime jurídico das
pessoas e os direitos reais, a instituição da propriedade individual,
perpétua e absoluta, a liberdade contratual.

Entre os Romanos, tal como entre os Gregos, o progresso económico foi
considerado culpado das dificuldades políticas e sociais que surgiam.
Apareceram, então, muitos apologistas da vida rural, que ficaram
conhecidos por "scriptores de re rustica". Neles se incluem Cícero e
Séneca, Plínio, Horácio e Virgílio. Defendem o ideal do pequeno
agricultor autónomo, que vive na terra que cultiva e que observa os
austeros e sóbrios costumes dos seus antepassados, livre da atracção
do luxo e dos vícios. "Nada melhor, nada mais digno do homem livre,
do que a agricultura." afirmava Cícero. Além de elogiarem a
agricultura, condenam o empréstimo a juros e o comércio em geral.

Nos dez séculos de Idade Média, o pensamento económico foi,
evidentemente, dominado pelo clero. Considera-se que o homem, para
viver, necessita de trabalhar, mas que não se deve absorver na
procura de riqueza. O lucro ilimitado é considerado ilícito e
prejudicial. O produtor não deve aproveitar-se das necessidades do
consumidor. Determina-se o preço justo para cada mercadoria e o
salário justo para cada trabalhador. É condenado o lucro ilícito, a
exploração e a desigualdade.

Com São Tomás de Aquino, aparece uma noção de propriedadeque não é
imposta pelo direito natural, mas sim "conforme" ao direito natural.
A propriedade foi criada para utilidade da espécie humana, e não para
utilidade de qualquer homem em particular. Mas é o próprio interesse
geral dos homens a exigir que a propriedade esteja confiada a
detentores individuais. A propriedade não é absoluta. O proprietário
desempenha uma função social, não tendo apenas direitos, mas também
deveres.

Os primitivos padres condenaram o comércio, e Santo Agostinho receava
que o comércio desviasse os homens do caminho de Deus. Mas era
impossível impedir o comércio, e a diligência consistiu em
regulamentá-lo. A noção de preço justo, segundo Santo Agostinho, não
pode ser explicada por considerações de ordem económica, pois
corresponde a uma convenção moral. Um comprador honesto, mesmo que o
vendedor ignorasse o valor da mercadoria, deveria pagar o preço justo.

O pensamento medieval condenou igualmente o empréstimo a juros. Para
São Tomás, como para Aristóteles, a função natural da moeda é
facilitar a troca; torná-la produtora de riqueza era antinatural e
injusto. O juro foi sendo praticado com intensidade crescente, sob a
justificação de que o empréstimo significava a perda da possibilidade
de ganhar noutro negócio e era justo que fosse compensado esse lucro
eventualmente perdido.

O trabalho estava organizado por profissões. Cada profissão possuía o
seu regulamento minucioso e preciso, onde eram fixadas a justa
remuneração e as condições de acesso à categoria de mestre.

O direito de cunhar moeda pertencia ao rei ou ao senhor do
território. São Tomás condenou a prática da quebra da moeda, que
constituía um imposto pesado, muito rendoso para os reis e fácil de
recolher. Estas alterações, defendeu Oresme, atingiam essencialmente
as classes que não se entregavam à actividade social, tendo graves
consequências sociais.



(fim da 1ª parte)




 

[João]


A razão entre as receitas fiscais totais e o PIB situa-se nos 23% (OE
2002).

Assim, segundo o estudo do economista José Almeida Serra, a
eficiência da cobrança fiscal está entre os 76% e os 83%.

Cá se vai andando..

João


projecto21 - 4 Jan 2002




 


[Cláudia]


Uma vez perguntaram a Confúcio: "O que o surpreende
mais na humanidade?"
Confúcio respondeu: "Os homens perdem a saúde para
juntar dinheiro e depois perdem o dinheiro para a
recuperar. Por pensarem ansiosamente no futuro,
esquecem o presente,de tal forma que acabam por nem
viver no presente nem no futuro. Vivem como se nunca
fossem morrer e morrem como se não tivessem vivido..."

Então, vamos lá viver a vida como deve ser...
Desejo-vos um excelente ano de 2002 !

Beijinhos,
cláudia




 


[João]


É certo que os tribunais militares não aumentarão a segurança dos
americanos, pelo contrário, de acordo com a tese de Jonh Shattuck.

A violação dos direitos humanos nos Estados Unidos dificultará o
combate às violações noutros países. Dado que o terrorismo cresce em
lugares onde os abusos aos direitos humanos são frequentes mais do
que em culturas que privilegiam a dignidade humana (Afeganistão,
Bosnia, Ruanda, Serra Leoa, Somália, Timor Leste, Haiti, Tchechénia e
Kosovo), a promoção dos direitos humanos tornou-se mais importante do
que nunca para os Estados Unidos.

A luta contra o terrorismo, diz Bush, requere um empenho a longo
prazo. Este deve centrar-se na promoção dos direitos humanos e na
afirmação da dignidade humana. Os Estados Unidos devem ratificar os
tratados internacionais de defesa dos direitos humanos e apoiar as
instituições que os suportam, como o Tribunal Penal Internacional.
Todo o esforço na luta contra o terrorismo será em vão, se o ocidente
continuar a permitir abusos sistemáticos dos direitos humanos. Este é
o verdadeiro terrorismo, as bombas são a sua manifestação.

Os atentados aos direitos humanos, mesmo em países distantes, afecta-
nos a todos.

Esta é a lição a tirar dos acontecimentos de 11 de Setembro.

João


OP-ED
=========================
Human Rights at Home
By JOHN SHATTUCK
We hear that the war against terrorism requires us to trim
civil liberties at home. But secret military tribunals will
not improve our safety.
http://www.nytimes.com/2001/12/25/opinion/25SHAT.html?todaysheadlines


projecto21 - 28 Dez 2001




 


[João]


A tese de MST é a de que Guterres não caiu devido à crise
económica ,nem devido à ausência de reformas, nem devido à
capitulação perante os lobbies. Guterres caiu porque:

"Guterres foi despedido porque abusou da dose: foi tão
condescendente, tão conciliatório, tão avesso a conflitos, que as
pessoas acabaram por achar que ele já estava a fazer pouco delas.
Mas, se forem perguntar às pessoas o que ele deveria ter feito e não
fez, o grosso dos eleitores não saberá dar uma resposta. O homem
tinha um ar de instalado, de indiferença, quase desdém, e isso os
portugueses acharam que era demais: o espelho era demasiado cru."

Agora, como ninguém de valor nos quer governar, vamos para pior.. e o
toneca vai acabar por ser chorado e lamentado.

"E um país governado em coligação entre Durão Barroso e Manuel
Monteiro é de fugir: nem as peixeiras vão resistir."


Vamos para Pior
Por MIGUEL SOUSA TAVARES
Sexta-feira, 28 de Dezembro de 2001
http://jornal.publico.pt/2001/12/28/EspacoPublico/O01.html


projecto21 - 28 Dez 2001




 


[João]


Solidariedade made in U.S.A.

A Organização Mundial de Saúde publicou um relatório no qual propõe
um plano de erradicação da malária, tuberculose, etc. O preço deste
plano, que permitiria salvar pelo menos 8 milhões de pessoas por ano,
corresponde a 0.5% do PIB dos países desenvolvidos.

Isso duplicaria a ajuda externa americana. Não é, portanto, crível,
que os americanos apoiem este projecto. Apesar de a ajuda externa
americana (em percentagem do PIB) ser inferior à de Portugal.. E
apesar de que a opinião pública apoiaria claramente este projecto.

Os cidadãos americanos consideram-se generosos relativamente ao
terceiro mundo e pretendem que a fatia do orçamento de estado
dedicada à ajuda externa seja de 10%. Estão, no entanto, mal
informados, já que pretendem que a ajuda externa se reduza (!) para
10%.

E interrogam-se acerca das razões que levam o resto do mundo a não
mostrar mais gratidão em relação a eles.
O Plano Marshall acabou há 50 anos e eles não deram por isso..

Trata-se, portanto, de uma questão de vontade política. Que, neste
caso, contraria a vontade dos cidadãos.

João



OP-ED
=========================
The Scrooge Syndrome
By PAUL KRUGMAN
A sum of money that Americans would hardly notice, a
dime a day for the average citizen, would quite literally
save the lives of millions.
http://www.nytimes.com/2001/12/25/opinion/25KRUG.html?todaysheadlines




 


[João]
[Arquitectura]


A Helena Roseta foi eleita para a Ordem dos Arquitectos. De acordo
com as intenções que demonstrou na "campanha eleitoral", é uma
vitória daqueles que reivindicam um papel para os arquitectos mais
alargado do que o de dar dinheiro a ganhar a quem os contrata.

Os arquitectos têm consciência da influência que os espaços que criam
têm no comportamento dos seus utilizadores. Diferentes formas de
organização do espaço conduzem a diferentes interacções entre as
pessoas e diferentes sentimentos. É dessa consciência que deve partir
o projecto, no sentido de contribuir para a melhoria da qualidade de
vida dos utilizadores do espaço.

O conflito de interesses, que é claro, entre as imobiliárias e os
cidadãos, é resolvido por via do plano director municipal. Sendo
cumprido o plano director, considera-se que os direitos dos futuros
utilizadores do espaço e dos cidadãos em geral estão garantidos.
Existem razões para pôr esta premissa em causa: as frequentes
alterações dos PDM (a posteriori); a antiguidade dos PDMs (leia-se
tempo do Salazar); e a falta de discussão pública a seu respeito.

Os arquitectos parecem vir abdicando da defesa dos interesses do
cidadão, sob pena de serem, simplesmente, substituídos..

O papel dos arquitectos na transformação social é fundamental. É
necessário que eles tenham o direito de o assumir e que o assumam de
acordo com a sua consciência. E é, portanto, decisiva a existência de
uma Ordem que os estimule nesse sentido e que se empenhe em defendê-
los de outros interesses.

Contra os mamarrachos, marchar, marchar.


João


projecto21 - 20 Dez 2001





 


[Ramiro]
[Pirataria informática]


Hello,
Segundo uma noticia do NYTimes, os US iniciaram uma grande campanha para tentar eliminar gruppos que se dediquem a piratear software. Está claro que começaram pelas universidades e que prenderam algum pessoal que tinha software pirateado e não disse de onde ou como o tinham obtido.
Assim à primeira vista parece correcto faze-lo, afinal de contas estamos a falar de usar uma coisa que não compramos.
Mas vendo por outro prisma, parecem as taxas de multibanco, primeiro convencem-se as pessoas a usa-lo gratuitamente e depois quebra-se um preço. No software é exactamente a mesma coisa. Quem seria o Bill se não fossem os Win pirateados (se calhar nesta altura o Linuz já era usado por toda a gente).
Bem a ideia é: as grandes empresas tem clientes fidelizados e que só sabem trabalhar com o software deles, e tem pessoas que usam software ilegal e tambem só sabem trabalhar com o deles. Então tem um grande cota de mercado à qual ainda não cobram dinheiro, agora conseguiram poder suficiente para por o estado a cobrar esse dinheiro por eles.
Basta lembrar que o Bill é o tipo mais rico do mundo mesmo havendo 50% de windows que são pirateados, o que é que o gajo quer..
Já estou perdido.
Voces fazem ideia da quantidade de dinheiro que é preciso gastar para por um computador pronto para o dia a dia, ai uns 200c só em software, e não falo de software de engenharia ou outro do genero.
Abraços
RCM

o link da noticia é:
U.S. Expands Investigation Into Piracy of Software
http://www.nytimes.com/2001/12/19/technology/19PIRA.html?todaysheadlines


projecto21 - 19 Dez 2001




 


[Ramiro]


Ola,

isto de ajudar os estates a fazer a guerra, ou pelo menos a não participar numa guerra que podia ser a sua trás serios beneficios, vejam os valores em baixo. A minha ideia não é discutir as ajudas ao Paquistão, eles bem as precisam, mas enfatizar a politica seguida com eles. À uns meses atrás sofriam bloqueios financeiros por terem desenvolvido, ou comprado armamento nuclear (obviamente não foi aos Estados Unidos), agora recebem ajudas de todos os quadrantes, perdão de dividas e incentivos à exportação. A diferença foi a não intrvenção, o não fazer nada. No mei disto até os 15 deram uma ajuda monetária ao Paquistão.

Quem não deve estar a gostar muito do estado das coisas é o vizinho do lado, a India, que deve estar a pensar quanto é que vai ter de investir no exercito para parar os super financiados vizinhos e ainda por cima com o apoio dos senhores da guerra.

Abraço

RCM



http://jornal.publico.pt/2001/12/13/Mundo/I08CX01.html

FMI

O Fundo Monetário Internacional fez um empréstimo de 1309 milhões de dólares, dos quais 109 imediatamente disponíveis. Estas verbas inserem-se num plano trienal de reformas estruturais.

Banco Mundial

974 milhões de dólares. Os financiamentos totais do BM ascendem agora a 7000 milhões de dólares.

Banco Asiático de Desenvolvimento

950 milhões de dólares. A verba prevista para 2001-02 era de 626 milhões. Os financiamentos do BAD ascendem a 6000 milhões de dólares.

Estados Unidos

1000 milhões de dólares, dos quais 600 sob a forma de doação. Washington também reduziu a dívida paquistanesa em 375 milhões de dólares. Há ainda um crédito de 100 milhões para fazer um ficheiro dos estudantes das escolas corânicas.

União Europeia

Assistência orçamental para fins sociais no valor de 50 milhões de euros e facilidades comerciais às exportações paquistanesas, calculadas em mil milhões de euros.

Fonte: "Le Monde "



Olá,
na sequencia do mail da semana anterior sobre o financiamento e apoio ao Paquistão, aparece agora outra noticia divulgada pela policia Indiana.
Diz-se que os autores do atentado bombista são paquistaneses e que 4 deles foram treinados pelos serviços secretos paquistaneses.
Mais uma bomba na região, com exigencias dentro de cada um dos paises a serem tomadas medidas por parte dos seus lideres.

Vejam as noticias no publico.
http://jornal.publico.pt/2001/12/17/Mundo/I03.html


projecto21 - 17 Dez 2001




 


[Cláudia]


Olá!

Envio-vos o link para o site dos Repórteres sem Fronteiras, onde são contadas histórias vividas por muitos daqueles que põem a sua vida em risco para nos fazer chegar as notícias. São apresentadas também algumas estatísticas: desde Janeiro deste ano, 26 jornalistas foram mortos e 108 estão presos...
Viva a liberdade de expressão!

cláudia

http://www.rsf.fr/


[Hugo]


Sem dúvida que os repórteres desempenham um papel de importância
capital na situação actual (como em muitas outras), principalmente
porque são o único elo de ligação que temos com os acontecimentos, no
qual nos apoiamos para estabelecer a nossa opinião (que é muito mais
importante do que nos querem fazer crer...). Merecem, por isso, o
nosso respeito.
No entanto, (às vezes) custa-me olhá-los com ADMIRAÇÂO, porque
temos provas diárias de que nem sempre o seu esforço é imparcial, nem
sempre cumprem a alta missão que se propuseram desempenhar: manter-
nos informados. E atenção, são pagos para isso!!! Pagamo-los nós, e
nem sequer mal!
Portanto, de um ponto de vista frio e (embrutecido, perhaps ... a
violência quotidiana tem efeitos) são só meia dúzia de vidas no meio
de um banho de sangue, com a diferença que eles escolheram
livremente, o que é bem mais do que pode dizer a maioria dos cidadãos
por aquelas bandas ...
Em resumo: há jornalistas que morrem para nos prestar um serviço.
Muito bem! (quer dizer, muito mal ...). O que me repugna é pensar que
a escala de valores que adoptámos como sociedade pesa de forma
diferente vidas humanas iguais ... ou será que os trolhas não morrem
todos os dias para construír casas para nós (e pagamos-lhes mal, em
comparação ...).
É muito necessário que exista uma página na net para relembrar os
jornalistas mortos no cumprimento do dever, mas não deveria haver
alguém que se lembrasse dos trolhas???



[Cláudia]


Oooooops!
Não estava à espera que este link fosse suscitar tanta
polémica. Mas ainda bem, pois penso que foram
referidas algumas questões importantes.

De facto, o jornalismo que temos hoje em dia fica
muitas vezes aquém dos objectivos idealistas a que se
propõe, resvalando para o sensasionalismo e para as
notícias despidas de interesse com um intuito pouco
nobre de captar audiências àvidamente “voyeuristas”...


Longe de ser exaltado e admirado, este jornalismo é
desprezado por todos aqueles que andam minimamente
atentos... É precisamente este olhar crítico sobre
tudo aquilo que nos é apresentado (seja qual for a sua
forma!) que deve ser preservado! È sinal que estamos
vivos e bem acordados!

Quanto ao site onde são contadas algumas histórias
sobre jornalistas que andam pelo mundo fora em busca
da notícia (vamos acreditar que sim..), trata-se de um
site como muitos outros. Se a sua existência tem
implícita a dualidade de valores que a nossa sociedade
parece ter adoptado, nomeadamente no que diz respeito
à importância atribuída às diferentes vidas humanas,
parece-me um pouco difícil de concluir.

No entanto, esta questão remete-nos para um mail
anterior a respeito dos recentes ataques aliados a um
forte taliban (" CIA confirma Morte do Primeiro
Americano no Afeganistão ", lembram-se?), onde a
sangria de soldados talibans não foi suficiente para
merecer destaque no título!
Dois pesos e duas medidas?...

cláudia

PS: eu acho que os trolhas também merecem um espaço na net!


[Hugo]


Em primeiro lugar, desculpas muitas e variadas:

Pelo atraso que leva a resposta. (não tive tempo, tive que estudar muito ...). De qualquer maneira, aparte obrigar os que queiram formar uma opinião sobre a minha opinião a reler o artigo (que é extenso, mas não é chato), a dita opinião não vem demasiado fora da data (a menos que já tenha sido discutido o tema numa das intervenções que ainda não li) (porra, tanto parêntesis!!!)
A outra desculpa, essa sim bastante atrasada, tem To: e Cc: - destina-se directamente à Claudia (eu também acho que só por não podermos ter todos uma página na net não temos nada que nos irritar com quem tem), e ao resto do mundo - os acessos de bílis resolvem-se melhor com uma dose de desenhos animados!!!

Sobre o que diz este senhor [Mário de Carvalho], tenho a apontar uma falha de coerência lógica, inaceitável num artigo que se "vangloria" da frieza e eficiência do raciocínio: vamos lá a ver, assim por alto, estou de acordo com tudo, mas o "passinho" de dividir os Americanos entre os "broncos" e os "mais abertos", e rotular os "outros" de "fanáticos religiosos" ... e ainda por cima ser essa a única justificação para a escolha de aliados que devemos fazer ... porque há Americanos inteligentes, apesar dos broncos mandarem no país, então há hipótese de entendimento. Mas com os muhammads e allahs e haziqs, que são todos sem excepção fanáticos religiosos e inferiores em inteligência -bárbaros- com esses nem sequer falamos, é um desperdício de energia: comece-se pelas bombas directamente!!!
É duma curteza de vistas que choca, e não digo mais!


projecto21 - 12 Dez 2001




 


[Ramiro]


Estou chocado com uma noticia do publico que acabei de ler, vejam:

" CIA confirma Morte do Primeiro Americano no Afeganistão "

Este era o titúlo, agora vejam o que se passa. Ouve uma revolta num
forte onde estavam umas centenas de prisioneiros taliban, foram
mortos entre 100 a 450(depende da versão), ou seja todos e o titúlo
da noticia é que morreu um Americano. Como pode ser??
E ainda por cima para controlar o forte os americanos bombardearam-o
e depois incendiaram-o não fosse algum dos bandidos matar o rambo.
Nem vale a pena tecer mais comentarios.... Resta-nos lamentar


aqui vai o link da dita noticia

http://jornal.publico.pt/2001/11/29/Destaque/X02.html


projecto21 - 29 Nov 2001



 


[Cláudia]


Bons dias!

Numa entrevista ao Público, Sua Santidade reforça a ideia:

"Nós somos seres sociais. O nosso futuro depende das pessoas e das comunidades. Na economia global, com a recessão, há mais dificuldades para os indivíduos, as coisas ficam mais caras, perdem-se empregos, o indivíduo também sofre. A recente tragédia de Nova Iorque prejudicou a economia americana. Todo o mundo se ressente. Se o pé estiver doente, a mão tem que cuidar dele. Qualquer parte do mundo é parte do mesmo corpo. O outro é também parte de nós. A nossa percepção continua a ser a de que existe um "eles" e um "nós", mas se o outro sofre, eu sofro. "

A entrevista completa:

http://jornal.publico.pt/2001/11/27/Sociedade/S01.html

Bjinhos,

cláudia




 

[Ramiro]
[Fuga ao fisco]



Neste fim de semana encontra-se no expresso uma previsão de receita
perdida pelo estado na fuga fiscal e na economia clandestina,
realizado pelo economista José Almeida Serra.
Então é assim:
receitas totais perdidas - 4,7 a 7,2% do PIB (1200 a 1800MC)
Economia clandestina - 24 a 30% do PIB (e só temos a zona franca da
madeira!!!), isto significa +- 2,5% do PIB em receita fiscal perdida.
Fugas ao IRC - 10 a 20% do total de IRC (0,6 a 1,5% do PIB)
Fugas IRS - 7,5 a 15% do total de IRS (0,9 a 1,5% do PIB)
Evasão ao iva - 5 a 10% do total (0,7 a 1,5% do PIB)

"Mais do que um problema de défice do orçamento, está-se perante a
incapacidade do estado em fazer cumprir as leis e proceder à
arrecadação de impostos"

Estes números dão bem que pensar, por exemplo: qual a percentagem da
população que beneficia com esta evasão fiscal?
O que se podia fazer com este dinheiro?
Porque é que fica por arrecadar tanto dinheiro, será o estado
conivente com os faltosos?

Ramiro Martins

ps: já agora, alguém sabe qual a percentagem do PIB que o estado
arrecada em impostos?


projecto21 - 27 Nov 2001



 


[Cláudia]


Olá!

Cá estão os excertos de uma crónica interessante
escrita por Paul Krugman no NY Times de domingo, a
respeito da realidade que está a ser vivida e
apreendida pelo povo americano.

cláudia

----------

A realidade ao alcance dos americanos parece ser
apenas uma pequena parcela da verdadeira realidade...

“Most Americans get their news from TV. And what they
see is heartwarming — a picture of a nation behaving
well in a time of crisis. Indeed, the vast majority of
Americans have been both resolute and generous.
But that's not the whole story, and the images TV
doesn't show are anything but heartwarming.“

… a par de um cenário de solidariedade e comportamento
exemplar num contexto de catástrofe nacional, o
egoísmo continua a guiar a acção política e
epmresarial...

“A full picture would show politicians and businessmen
behaving badly, with this bad behavior made possible —
and made worse — by the fact that these days
selfishness comes tightly wrapped in the flag. If you
pay attention to the whole picture, you start to feel
that you are living in a different reality from the
one on TV.”

No entanto, …

“The alternate reality isn't deeply hidden. (…) “

É prática corrente, e devo dizer, bastante popular, o
recurso às chamadas tranferências de módicas quantias
monetárias como ajuda imediata em tempo de calamidade.
Uma solução fácil (não exige grande planeamento, nem
muitas contas!), mas raras vezes eficaz, servindo para
bloquear a recuperação necessária.

“From an economist's point of view, the most revealing
indicator of what's really happening is the post-
Sept. 11 fondness of politicians for "lump-sum
transfers."
That's economese for payments that aren't contingent
on the recipient's actions, and which therefore give
no incentive for changed behavior. That's good if the
transfer is meant to help someone in need, without
reducing his motivation to work. It's bad if the
alleged purpose of the transfer is to get the
recipient to do something useful, like invest or hire
more workers. “

E assim aconteceu, ou está a acontecer, na América...

“So it tells you something when Congress votes $15
billion in aid and loan guarantees for airline
companies but not a penny for laid-off airline
workers.

It tells you even more when the House passes a
"stimulus" bill that contains almost nothing for the
unemployed but includes $25 billion in retroactive
corporate tax cuts — that is, pure lump-sum transfers
to corporations, most of them highly profitable.

Most political reporting about the stimulus debate
describes it as a conflict of ideologies. But ideology
has nothing to do with it. No economic doctrine I'm
aware of, right or left, says that an $800 million
lump-sum transfer to General Motors will lead to more
investment when the company is already sitting on $8
billion in cash. (…)”

Mas ainda há mais…

“Of course, it's not all about lump- sum transfers.
Since Sept. 11 there has also been a sustained effort,
under cover of the national emergency, to open public
lands to oil companies and logging interests.
Administration officials claim that it's all for the
sake of national security, but when you discover that
they also intend to reverse rules excluding
snowmobiles from Yellowstone, the truth becomes clear.

Afinal, o que se passa nos EUA?

“So what's the real state of the nation? On TV this
looks like World War II. But though our cause is just,
for 99.9 percent of Americans this war, waged by a
small cadre of highly trained professionals, is a
spectator event. And the home front looks not like
wartime but like a postwar aftermath, in which the
normal instincts of a nation at war — to rally round
the flag and place trust in our leaders — are all too
easily exploited.
(…)
What this country needs is a return to normalcy. And I
don't mean the selective normalcy the Bush
administration wants, in which everyone goes shopping
but the media continue to report only inspiring
stories and war news. It's time to give the American
people the whole picture. “


projecto21 - 26 Nov 2001




 


[Ramiro]


oi, mais uma bomba americana!!!!!
Excerto do suplemento computadores do Publico.

"
Xerifes agora na Internet
A legislação antiterrorista aprovada recentemente nos EUA poderá ser
usada para processar cibercriminosos em qualquer outro país, mesmo
que a legislação desse país não contemple o tipo de crime de que o
seu cidadão é acusado. A abrangência da lei, criticada por tornar os
EUA nos polícias da Internet, "constitui uma forte expansão da
soberania" do país - referia Mark Rasch, da empresa de segurança
Predictive Systems, citado pela Associated Press. Na prática, os EUA
poderão processar alguém desde que ele seja responsável por enviar
dados pela Internet, mesmo que a sua origem ou destino não sejam os
EUA. Mas a maioria do tráfego da Internet acaba por passar dentro das
suas fronteiras, pelo que o Departamento de Justiça norte-americano
considera poder intervir, por estar na sua juridisção, e pedir a
extradição dos implicados para os apresentar num tribunal. Qualquer
crime informático, da pornografia à disseminação ilegal
de "software", passa assim a estar sob alçada de legislação
internacional aprovada por um único país. Mas outras áreas ficam
igualmente sob vigilância: por exemplo, os casinos "on-line",
proibidos nalguns estados norte-americanos e a operar em "off-
shores", poderão ser accionados judicialmente nos EUA mesmo que sejam
legais nesses países."


projecto21 - 26 Nov 2001



 


[Ramiro]


"O nosso espírito divide o mundo entre nós e os que estão do nosso
lado; e os outros. Não nos esforçamos para resolver os problemas dos
outros. Mas, na realidade, estamos todos interligados. Para sermos
felizes, os outros também têm de ser felizes".

Dalai Lama



 


[Ramiro]


Ola, este é um excerto de uma noticia do publico, na qual o Clinton
diz apoiar o presidente (tal como lhe compete), e depois diz que em
parte somos responsáveis pela sua existencia, por negarmos a muitos
paises o minimo que exigimos para nós.


"É importante que permaneçamos agrupados em torno dele durante o
actual esforço de guerra e na detecção dos terroristas", acrescenta.
Clinton aproveitou para apelar à actual Administração dos Estados
Unidos que combata a pobreza que, na sua perspectiva, favorece o
surgimento de um "potencial reservatório do terrorismo de
amanhã". "Podemos diminuir o viveiro de potenciais terroristas
demonstrando que não negamos aos outros as possibilidades essenciais
que exigimos para nós próprios"
http://jornal.publico.pt/2001/11/23/Destaque/X13CX01.html

o artigo completo
http://www.policy-network.net/show_art.phtml?art_id=1&art_date=2001-
11-14


Poverty: Some pessimists might even call globalization itself the
most negative feature of our new century. Americans may be getting
rich, but half of the world's population still lives on less than $2
per day. One billion live on less than $1 per day. And since it is
predicted that the world's population will grow by 50 percent in the
next five decades, mostly in the countries least able to handle it,
we can predict that poverty may create a breeding ground for
terrorists who prey on the dispossessed.

Imaginem, o Clinton escreveu isto!!!!


projecto21 - 23 Nov 2001




 


[Ramiro]


Ontem o ministro das finanças foi ao jornal da rtp para nos dizer que o orçamento rectificativo era necessário e que está a ser feita a mesma coisa nos outro paises da UE, até aqui tudo bem, mas o orçamentyo deve-se à falha nas receitas fiscais das empresas (pagam poucos impostos). No seguimento disto hoje temos uma noticia de que a SONAE e a UNICER pretendem mais incentivos fiscais para inovarem. Estas são das maiores empresas nacionais, e pretendem incentivos fiscais, tal como os bancos, embora estes já tenham os referidos incentivos (IRC de 12%), clro assim não é de admirar que haja perda de receita devido aos impostos.

Ontem houve uma reuniao da Internacional democrata-crista IDC, onde foi eleito o novo presidente, Aznar, tendo feito umas declarações algo contraditorias e muito discutiveis. Leiam o que ele diz das migrações dos paises pobres para os paises ricos (a preocupação são os que imigram e não os que ficam nos paises pobres). Com esta politica de liderança a nossa sociedade caminha a passos largos, só ainda não sei para onde!!?????
Ramiro


"A Internacional Democrata-Cristã (IDC) afirmou a sua vontade de lutar contra o terrorismo, de "tornar impossível a existência dos regimes e organizações que apoiam o terror" e nomeou hoje no México José Maria Aznar como novo presidente.

Dirigindo-se à assembleia anual da IDC pouco depois da sua eleição, Aznar, chefe do Governo espanhol, rejeitou a admissão do Partido Nacionalista Basco (PNV) na organização democrata-cristão, uma vez que este último "não quer ser associado a partidos que têm acordos ou relações com grupos que apoiam o terrorismo".
Aznar disse que, durante o seu mandato, a IDC - que conta actualmente com 89 formações políticas, será reorganizada, apesar de preservar os princípios da liberdade e democracia, tendo em conta as "novas realidades do ponto de vista político, económico e social", citou a AFP.
"A IDC está a favor das sociedades abertas, da democracia, da competência, da economia de mercado e das liberalizações no seio do comércio internacional", acrescentou.
No seu comunicado final, a IDC, depois de ter condenado o terrorismo, sublinhou que na sua doutrina figura a "protecção dos direitos humanos dos migrantes, através de acordos inter-governamentais", dado que as "migrações dos países pobres para os países ricos são um fenómeno do nosso tempo". Apesar disso, a IDC apoia também a luta contra a imigração ilegal, conclui o comunicado."

http://ultimahora.publico.pt/shownews.asp?id=50925&idCanal=62


projecto21 - 22 Nov 2001



 


[João]


"Segunda-feira, o ministro belga dos Negócios Estrangeiros anunciou
que a justiça do seu país enviara a Sharon "um convite para
comparecer" perante juízes belgas no quadro de uma queixa depositada
contra ele por sobreviventes dos massacres dos campos de refugiados
de Sabra e Chatila, perto de Beirute, em 1982."

!!!

In Publico
http://jornal.publico.pt/2001/11/21/Destaque/X14.html

Como e que se julga o Sharon? So se ele perder as proximas eleicoes
(e mesmo assim, nao sei).. Agora, ele tem todas as razoes para se
tentar eternizar no poder.

Os malucos matam sempre os gajos errados! Deus, explica-me isto!
(JLennon, Kennedys, MLKing, OPalm, IRabin, ..)


projecto21 - 21 Nov 2001




 


[João]


Encontrei o artigo.

http://zonanon.org/opiniao/var_152.html


Tornar a morte obscena
[Mário de Carvalho]

Não sou um entusiasta da utopia. Talvez não consiga desligar-me da
etimologia do vocábulo - o que não tem lugar - e fico-lhe pegado, sem
saber que fazer com ele. A literatura não terá necessariamente por
fim a verdade prática, para nos reportarmos a um título célebre e
algo polémico de Eluard, mas a política tem. A ficção, a fantasia, o
arroubo onírico competem às artes e às letras. As razões da bondade
de uma obra literária serão várias, andam ao sabor dos gostos dos
tempos, mas, em princípio, não se ligam a um programa geral de
remoção da infelicidade. Já a razão da bondade de uma proposta
política é ser ela exequível, susceptível de ser posta em acto, no
espaço e no tempo dos homens concretos e reais, ou seja, na História.
Aqui é que bate o ponto. Não prometer a felicidade, declaração que
entra sempre no rol das proposições demagógicas, mas propor a
abolição de causas de infelicidade. A felicidade é questão muito
particular, porventura sempre precária, porventura inatingível, de
cada um de nós. A infelicidade ou as infelicidades são um problema de
todos. Mesmo daqueles que em tal ou tal momento se distraem e acabam
por ser brutalmente acordados do descuidado remanso.

Tenho visto que muito boas pessoas invocam a utopia em apelo à
generosidade de sentimentos, à dimensão do sonho (na acepção de um
poema célebre de António Gedeão), àquele misto de crer e querer a que
em tempos se chamou "suplemento de alma". Mas uma adquirida
desconfiança, já muito entranhada, leva-me a não aceitar de bom grado
que alguém se bata por um objectivo que é remetido, à partida, para
fora do mundo real. É um contra-senso. Vem-me sempre à ideia aquela
personagem de Eça de Queirós que apreciava um "pedaço de infinito".
Acresce que a tentativa de implantação prática de utopias, quer as
sonhadas, quer as desenhadas "cientificamente" se provou catastrófica.

Não me parece que, seja qual for a bondade das intenções (e aqui, ao
contrário do que acontece na literatura, as boas intenções contam)
uma aspiração ao "reino de nenhuma parte" venha qualificar
positivamente uma atitude. A utopia é encantatória, convoca os
sonhos. Mas não precisamos de mobilizar os sonhos. Temos de lidar com
as realidades e mobilizar os conhecimentos, com a consciência de que
eles são sempre escassos e frágeis. A História dos homens, tão curta,
ainda tem muito pouco para dar, na exiguidade dos seus cinco mil anos
de escrita. Com isso, os pensadores do século XIX julgavam ter
compreendido os homens e as sociedades humanas. Avançaram cedo para
sistemas de explicação coerentes e universais, sem se aperceberem -
mais irónico: sem poderem aperceber-se - de que não tinham ao alcance
instrumentos nem dados bastantes.

No entanto, não há que ser excessivamente pessimista. Temos a
tendência natural para referir os nossos desejos e aspirações à
escala exígua duma vida humana. Mas se olharmos para trás, para os
curtíssimos cinco mil anos de História, se tanto, muito tem mudado
para melhor. A antropofagia, os sacrifícios humanos, o escravismo,
não são hoje apenas rejeitados, mas repugnam à consciência da maior
parte dos homens. Acho que não é abusivo considerar estas aquisições
como definitivas, pesem embora algumas interrogações que possam ainda
levantar-se a propósito de novas formas de sacrifício humano, ou de
escravismo.

Há poucos dias, num canal de televisão, cientistas explicavam como
era teoricamente possível criar oceanos em Marte, deslocando cometas
da periferia do sistema solar e precipitando-os no planeta. Uma
hipótese, inimaginável há dez anos, como daqui a dez anos se
formularão outras, inimagináveis hoje. Chegaremos lá, se não
perdermos a campanha contra os irracionalismos e os obscurantismos.
Os de fora e os de dentro. E quando isto está em jogo, chega a ser
ofensivo o palrar dessa pequena burguesia analfabeta, que pulula nas
televisões, com os seus signos do Zodíaco e os seus Tarots.

Já tenho ouvido, por muito lado, a pergunta ociosa: então e se os
Persas tivessem ganho, em Salamina? E se os Romanos tivessem perdido
as Guerras Púnicas? Segue-se um: "o que seria de nós?", ou, "como
estaríamos nós agora"? Ninguém se lembra de formular: "e se os
bárbaros do Norte varressem as defesas do Império e ocupassem Roma?"
Foi o que veio a acontecer. E temos a resposta. Mais de mil anos de
miséria, obscurantismo e sofrimento. De atraso, se me for permitido
confiar minimamente numa linha de evolução que vai de pior para
melhor.

Enquanto os astrofísicos pensavam em animar ou reanimar Marte,
noutros canais de televisão exibiam-se imagens de horror em Nova
Iorque, multidões a gritar pela guerra santa em Islamabad, velhos
tanques em movimento, com cachos de guerreiros afegãos, de
kalashnikov em bandoleira.
E aí estava documentado, dum para outro segundo, este confronto entre
grandeza e miséria que tem sido próprio da condição humana, sendo que
as grandezas quase sempre se volvem em miséria sem que o contrário
seja também verdadeiro.

Tem sido dito que enfrentamos o combate da civilização contra a
barbárie. Eu estou de acordo, desde que haja a cautela - e parece,
por enquanto, ter havido - de não verter os termos numa versão
simplificadora de "Ocidente" contra "Islão", ou de "civilização
judaico-cristã" contra as outras. Houve tempos em que o Islão
preservava e traduzia as obras de Platão e Aristóteles, em que os
califas estabeleciam as "casas da sabedoria" , em que os números
indianos (incluindo o zero) passaram a ser usados pela matemática, em
que o trabalho literário e artístico era prestigiado e protegido. Por
essa altura, nós, os da civilização cristã, não passávamos de
bárbaros cobertos de ferro, analfabetos, animalizados e sanguinários.
Quando o presidente Bush, num momento de infelicidade, apelou à
cruzada, foi essa imagem que ressuscitou, de hordas devastadoras e
sangrentas, ávidas de morte e destruição. Foi um lapso, certamente,
de "Roma mal informada" que os mais avisados tentaram corrigir
depois. Mas serve para avaliar a cautela que devemos ter com as
palavras e com as simplificações. A reiterada afirmação de que a
guerra que aí vem é contra o terror e não contra os muçulmanos é de
bom aviso, e convinha que não se tornasse apenas numa fórmula
sacramental. A cada passo é necessário avaliar quais são as
susceptibilidades que uma palavra mal colocada pode inutilmente
ferir. Eu a escrever estas considerações e o Berlusconi a atirar umas
bujardas, muito próprias de quem ele é, muito desastradas para quem
não é como ele.

As inacreditáveis cenas de destruição em Nova Iorque causaram entre
nós preocupantes manifestações de belicismo. Seria o menos, se se
tratasse de reacções impulsivas de quem, ao presenciar as imagens,
únicas, não pudesse conter a raiva. Nenhum de nós está livre de
desabafos impensados, na sequência de uma provocação avassaladora.
Inquietante é que vieram ao de cima, de mistura com reminiscências
do "Cavaleiro Andante" e da Mocidade Portuguesa, aflorações de puro
fascismo, até agora dissimulado por vergonha. Assim aquele alarido de
bradar pela cavalaria. Um apelo à tropa de Lisboa que venha formar
quadrado e varrer os rebeldes? Nem isso. Mentes colonizadas nem a
cavalaria de Mouzinho evocam. Querem os azuis de John Ford à carga,
no cenário de Monument Valley. E aí temos, como nas ocasiões críticas
o inimigo sai dos fojos e provoca. Vem agregar à barbárie também a
barbárie que já existe entre nós.

Somos todos americanos? A frase foi lançada a quente, com
generosidade e sentido do intertexo. Mas não somos americanos, não. E
para nos sentirmos solidários numa luta comum contra o fanatismo, nem
precisamos de ser. Há diferenças marcantes. No que respeita aos
direitos humanos e ao funcionamento de instituições democráticas, os
EUA apresentam desvios que os diminuem na comparação. Atrasaram-se.
Deixaram-se ficar para trás. Surpreende-nos o primarismo com que
encaram os direitos e os deveres, a lei, os tribunais, as penas.
Justamente o inverso do que uma obsidiante propaganda, duma
autocomplacência teimosa, pretende fazer crer.

E a profunda incompreensão e indiferença em relação ao resto do mundo
não é apenas um apontamento de anedotário. Custa a acreditar como é
possível que uma aparência de cosmopolitismo recubra um espírito tão
tacanho e fechado à existência dos outros. Na América, de uma forma
geral, sentimo-nos reclusos numa descomunal paróquia, rica,
ostentatória, diversificada, de quermesse abundante, gente simpática,
mas paróquia na mesma.

Não precisamos de ser americanos, nem de nos travestir em americanos.
Precisamos ainda menos de nos comportar como sipaios dos americanos.
O tal furor belicoso nas páginas de alguns jornais portugueses é de
mau agouro. Uma crise faz logo arrebitar o militarista adormecido que
havia dentro de certas almas. Quando, em qualquer outra volta grave
da História, aparecer um salvador a prometer ordem e segurança,
veremos esta gente a reunir argumentos para justificar qualquer
fascismo emergente. Provavelmente serão os mesmos. Os moldes
culturais já lá estão, prontinhos. É a direita a sair da toca. A ser
como realmente é.

Mas as atitudes da esquerda nesta conjuntura acabaram por ser
estereotipadas e autoreferenciais. Antes de procurar ver, a cada
passo, onde está o bem e o mal, a verdade e a mentira, a esquerda
procura saber qual é o discurso que soa como apropriado e
reconhecível. Quer identificar "o desenho no tapete" e, depois,
reproduzi-lo. No caso, estando a classe dirigente americana associada
a práticas e teorias que assentam na plutocracia, na arrogância, na
propaganda, na opressão e na miséria de outros, vá de parar para
condenar mais uma vez esses procedimentos e procurar encontrar neles
as causas do sucedido. E entra-se num comportamento dúbio,
manobrista, por um lado, por outro lado, muito prenhe de coisas a
dizer que estarão para além daquilo que toda a gente sabe e que as
televisões mostraram. A esquerda hesita. Não está a ser capaz de
estabelecer gradações no mal, e o mal tem gradações; Não está capaz
de determinar um inimigo principal e um secundário (prático, este
velho esquema maoista...) numa altura é que é preciso não misturar as
águas. Está em causa a sobrevivência da própria civilização (e quando
digo a civilização não excluo, à partida, nenhum povo) e não um
momento de "avanço" ou "recuo" da História, nem um passe da luta de
classes, para usar uma linguagem reconhecível. O que vem aí pode ser
o fim de tudo. Para não dizer mais, seria ocioso perante uma ameaça
deste jaez estar a discutir de quem é, em última análise, "a culpa".
Soaria muito a sexo dos anjos no instante da queda de Bisâncio. Não
faltarão oportunidades para assacar responsabilidades ao imperialismo
e à globalização capitalista. À política interesseira, de amizades
cínicas e levianas com tiranos ou com energúmenos, que estamos todos
a pagar. De momento, trata-se, pura e simplesmente, de optar entre o
progresso e as trevas, entre a preservação da humanidade e o que pode
vir a ser a destruição dela.

O que se impõe, antes de tudo, é a rejeição intransigente de todos os
fanatismos e de todos os irracionalismos. Uma posição de esquerda
atraiçoa-se a si própria quando "explica" e condescende com os que
têm certezas e querem aprisionar o mundo nessas certezas. Custou-nos
muitos séculos de sofrimento conseguir instalar nas nossas sociedades
a crítica, a interrogação e a dúvida. Não podemos consentir que um
bando de alarves queiram destruir as nossas dúvidas para impor as
supersticiosas convicções que eles transportam, juntamente com a
morte.

Dizer que o momento obriga à solidariedade com a pobre gente que foi
assassinada em Manhattan é pouco. Uma declaração de horror protocolar
seguida de muitas reticências, com enumeração de todas as situações
em que o imperialismo e apaniguados mataram e torturaram, funciona,
neste momento, como uma espécie de outorga ao terrorismo.

Na rudeza das suas palavras iniciais o presidente norte-americano,
com aquele pendor habitual para irritar toda a gente mal abre a boca,
veio dizer que ou se está com eles ou contra eles. Uma forma
deselegante e maniqueia de se dirigir aos outros. Um desafio
provocatório. Acaba por tornar desconfortável uma enunciação como a
que eu fiz acima. Porque apetece ficar logo contra eles!
No entanto, apesar de tudo, com os norte-americanos, há sempre
esperanças de entendimento. As mentalidades mais primárias e obnóxias
são compensadas por outras mais abertas e conhecedoras. E, de
passagem, convém não esquecer que, se os "broncos" e "pesados"
americanos deixaram que Bush ocupasse o poder, os "ladinos"
e "brilhantes" italianos elegeram Berlusconi.

Mas com o fanatismo religioso não há qualquer possibilidade de
comunicação. É o irracionalismo em estado puro. Não merece a menor
condescendência. Aqui há anos um terrorista, justificando um desvio
de avião e o risco que correram os passageiros, dizia: "que é que
tem? A morte não é o fim." A argumentação racional suspende-se
perante quem considera que é lícito matar e deixar-se morrer á
vontade, já que a fé assegura uma vida para além da morte. É
monstruoso. Medieval.

Mesmo que se acredite que a morte não é o fim, é preciso proceder
como se fosse. É uma ofensa contra o deus das escrituras fazer dele
um ídolo sanguinário, quando ele vem há tantos anos fazendo o
possível para provar o oposto.

Um dia, se sobrevivermos, talvez consigamos tornar a morte obscena, a
violência obscena, como obscenos já são o canibalismo, o escravismo e
os sacrifícios humanos.

Talvez nessa altura possamos deslocar cometas para a atmosfera de
Marte e olhar para estes tempos que vivemos agora como um passado
primitivo e sem glória.

Isto não é nenhuma profecia, nem nenhuma utopia. Não é um sonho. É
uma condição de sobrevivência da humanidade e está ao nosso alcance.
Amanhã, ou depois.

Publicado originalmente na edição portuguesa do Le Monde Diplomatique


Nov.01